Histórias que inspiram: Família Barreto

Conheça a história do jovem que frequentava os cursos do Centro de Juventude da Estrutural para poder comer e hoje é coordenador, cursando duas faculdades e inspirando outros jovens.

Dezembro de 2018, chega a Brasília a Família Barreto deixando para trás uma vida confortável em Salvador e apostando todas as fichas na terra de oportunidades.

Paulo, Fabiana, Júnior, Marcos e os cachorrinhos Dimi e Dalila desembarcam na capital com a promessa de um negócio promissor, cheios de planos e projetos de uma vida melhor, mas logo enfrentam uma grande decepção.

A casa que haviam alugado estava ocupada, o negócio promissor não foi para frente, as portas se fecharam e uma nova realidade, muito longe daquela vivida em Salvador, começava a surgir.

A família passou um dia inteiro perambulando pela cidade Estrutural, até que com o pouco dinheiro que tinham, conseguiram alugar uma loja que disseram para o proprietário que montariam um negócio, mas a verdade é que eles só queriam um lugar para passar a noite.

Essa noite, se estendeu por meses. Os Barretos acordavam todos os dias à procura de oportunidades mas só recebiam negativas. Iam todos os dias para CEASA comprar ovos para revender na cidade e assim conseguiam garantir ao menos o arroz com feijão.

Com as caixas de ovos vazias, eles estendiam as mesmas no chão para ficarem mais aquecidos já que à época só tinham poucas roupas de cama para se protegerem do frio.

Certo dia, sem dinheiro e sem saber o que fazer, Paulo e Fabiana venderam suas alianças de casamento para conseguirem manter a família. Chegaram em casa e contaram aos filhos que foram assaltados, como conta emocionada Fabiana. “A gente não sabia mais o que fazer, o dinheiro tinha acabado e a gente precisava muito. Então vendemos nossas alianças e dissemos aos meninos que fomos assaltados. Talvez eles nem saibam porque só hoje estou de fato contando essa história porque antes doía demais falar, hoje não mais. Hoje vejo que Deus tinha um propósito em tudo”, declara com fé.

A fé de Fabiana

Mesmo com todas as dificuldades, Fabiana se mantinha firme em sua fé. Ela conta que por muitas vezes se sentia como Jó, sendo provada ao extremo, mas assim como o profeta, essa mãe permaneceu pedindo somente a Deus que poupasse e guardasse a vida de seus filhos.

E foi assim, em um dia de muita provação, depois de ter se derramado na presença de Deus, clamando por uma saída, que o Centro de Juventude “surgiu” na vida da família Barreto.

“Engraçado porque eu passava na frente do CJ sempre que ia à igreja, via uma faixa mas eu não enxergava, consegue entender?”, indaga Fabiana. “Mas nesse dia, o dia que eu falo que rasguei meu coração pra Deus pedindo uma luz, eu finalmente consegui enxergar o que tinha naquela faixa, eram os cursos do Centro de Juventude”, conta.

Fabiana conta que chegou em casa e conversou com o marido sobre os cursos e os dois decidiram que os filhos iriam fazer. “A gente veio para cá acreditando em melhores oportunidades para nossos filhos, para eles terem estudo, e o CJ era o primeiro degrau para eles”, afirma.

Enquanto o irmão Júnior aceitou com facilidade a sugestão dos pais de fazer os cursos ofertados no CJ, Marcos estava resistente, na verdade, revoltado com a situação. “Naquela altura, eu tinha muita revolta dentro de mim e eu achava que seria desperdício de tempo fazer os cursos porque eu não tinha nenhuma perspectiva, tanto que eu só aceitei de fato fazer quando descobri que davam lanche depois das aulas”, conta Marcos.

O lanche a que Marcos se refere, é ofertado a todos os alunos dos Centros de Juventude ao término das aulas, motivo pelo qual, o jovem decidiu se matricular em todos os cursos. “A gente almoçava e jantava a comida do restaurante comunitário, porque era isso que a gente tinha condições naquele momento, e por muitas vezes, a gente deixava para comer mais tarde para não ficar com fome durante o dia ou de madrugada e quando eu e meu irmão começamos a fazer os cursos, até lanche escondido para minha mãe a gente levava”, revela.

Gandhi certa vez falou que se Deus tivesse de aparecer para os famintos, não se atreveria em aparecer de outra forma que não fosse a de um prato de comida, e foi exatamente dessa maneira, por meio de um lanche, que a vida da família Barreto seria transformada.

Os dias passavam, e mesmo com as dificuldades, Júnior e Marcos continuavam firmes nas aulas do CJ, tendo inclusive que revezar os horários quando o chinelo de um arrebentou e eles precisaram dividir para poderem sair de casa.

A essa altura, Marcos, que antes havia se revoltado com Deus, já conseguia ver que tudo que sua família estava passando, era uma preparação para algo muito maior que ele ainda não sabia dizer.

E foi em uma aula de empregabilidade, incentivado pelo professor Wesley à época, que Marcos ficou sabendo de uma oportunidade de emprego no projeto Criança Feliz Brasiliense. Oportunidade que ele agarrou com unhas e dentes e virou uma chave em sua vida.

“Eu ia e voltava andando da Estrutural para residência oficial do governador, onde era realizado o treinamento porque não tinha dinheiro para passagem. E mesmo chegando cansado, eu fazia os cursos do CJ à noite”, revela Marcos.

Quando recebeu o primeiro salário, o jovem que passou tanta privação, que antes não tinha perspectiva e agora se via cheio de anseios, fez questão de honrar a mãe e a levou para o shopping para lhe dar um presente.

Quando recebeu o primeiro salário, o jovem que passou tanta privação, que antes não tinha perspectiva e agora se via cheio de anseios, fez questão de honrar a mãe e a levou para o shopping para lhe dar um presente.

“Eu fiquei tão emocionada, porque ele quis me honrar, mesmo podendo gastar o dinheiro com ele, para comprar inclusive roupa que ele precisava, ele fez questão de me presentear com um perfume, nunca me esquecerei disso”, conta a mãe emocionada.

Marcos logo se destacou e foi um dos visitadores de maior êxito do programa à época e assim que o contrato acabou, agora com experiência e mais maduro, o jovem teve uma nova oportunidade no CJ como auxiliar administrativo.

De aluno à coordenador

Quando Marcos começou como auxiliar administrativo no Centro de Juventude da Estrutural, se dedicou ao máximo em sua função e com pouco tempo na função, se viu diante de um grande desafio que era estar à frente do CJ em um momento em que a coordenadora Maria precisou se ausentar por motivos de saúde.

Com tanta dedicação, certo dia ele foi surpreendido no meio de uma reunião com o anúncio de que ele seria o novo coordenador do Centro de Juventude da Estrutural. Ele não conseguia acreditar. “Passou um filme na minha cabeça, sabe? Eu só pensava em contar a notícia pra minha mãe. Porque quando eu virei auxiliar, eu falei pra ela que um dia seria coordenador, eu não imaginava que seria tão rápido”, revela.

Agora, como coordenador, cursando duas faculdades, o jovem tem planos grandes e acredita que tudo que passou foi para fortalecer a sua fé e o preparar para acolher outros jovens como ele foi acolhido.

O poder da gratidão

Se antes a família dependia do restaurante comunitário, os irmãos dividiam as poucas roupas que tinham e tudo parecia impossível, hoje, os Barretos estão prestes a inaugurar seu terceiro negócio na cidade Estrutural.

“Eu sabia que um dia a gente teria orgulho da nossa história, que a gente poderia contar ela sem se envergonhar, e esse dia chegou. Eu só tenho gratidão. Acredito que Deus permitiu que as coisas fossem desse jeito, para nos lapidar. Eu vejo o tempo todo Deus lapidando a minha família para que pudéssemos ser melhores e assim como fez com Jó, Ele tem feito com nossa família, nos dando em dobro tudo que perdemos”, declara emocionada Fabiana que ainda descreve o Centro de Juventude como o primeiro degrau para os jovens. “Pra mim o CJ é uma oportunidade, uma janela pro futuro, um farol. É o primeiro degrau para o jovem, onde ele será acolhido e terá oportunidade de se capacitar e crescer”.

Durante todo esse processo, Marcos amadureceu, e diante da dura realidade que conheceu das famílias que atendia no Criança Feliz Brasiliense, o jovem aos poucos foi sendo transformado e aprendendo a valorizar até mesmo o pouco que tinha. O antes aluno sem perspectiva, e agora coordenador do Centro de Juventude da Estrutural, é grato à Deus e àqueles que o ajudaram por tudo que tem vivido. “Se eu pudesse dizer alguma coisa para o Marcos lá de 2018 que estava revoltado, eu diria: tenha mais fé. Deus está te preparando para algo grande que você ainda não consegue ver. Seja grato. Eu sou grato aos professores do CJ, à IECAP pela oportunidade, à minha equipe e à minha família. Então, persista, porque no final você vai se orgulhar da sua história. E hoje eu me orgulho, hoje eu posso dizer: mãe, eu consegui, eu virei coordenador”, finaliza.

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