II Semana Cultural dos Cjs: CASULO, chega ao fim com reflexões profundas sobre processos e recomeços

Aconteceu neste sábado, 1º de maio, o último dia de apresentações da II Semana Cultura dos Centros de Juventude que trouxe cinco trabalhos, exibidos durante a semana, pensados, produzidos e editados pelos próprios alunos das Oficinas de Teatro dos CJs.

Na abertura da II Semana Cultural, os alunos do Módulo I se apresentaram com “Fragmentos de Shakespeare – Romeu e Julieta”, explorando a metalinguagem por meio do clássico, onde mostraram os desafios de fazer teatro na pandemia e de forma online. O resultado foi uma bem-humorada apresentação com sacadas inteligentes onde os telespectadores se viram em várias cenas do dia a dia durante a pandemia.

Os alunos do Módulo II, foram desafiados a ampliarem suas pesquisas para variados autores e obras, que foram desde a Grécia antiga até a contemporaneidade para exercitarem sua criatividade e desenvolvimento apresentando a Mostra Interna de Monólogos – MIM no segundo dia de evento.

No terceiro dia da II Semana Cultural dos CJs, estimulados a explorar o audiovisual, a criar seu próprio roteiro e com a necessidade de falar sobre o que estão vivendo foi a vez do Módulo III provocar o imaginário do telespectador com o curta-metragem “A Cura“.

A turma do módulo IV trouxe a “Desmontagem Cênica” no quarto dia de apresentações. A exibição nos levou aos processos de criação durante a passagem por todos os módulos das oficinas de teatro. Nessa dinâmica os jovens destacaram a jornada de pesquisa, refletindo sobre o que fica de cada cena, de cada personagem e daquilo que não foi dito, mostrado e dividido. A Desmontagem nos provoca a olhar para o passado para compreendermos a importância dos processos.

Fechando com chave de ouro, o documentário “Não É Sobre o Fim” contou a história dos jovens do Coletivo Artístico CeinCena que concluíram o último módulo do curso, encerrando sua passagem pelas oficinas de teatro dos CJs.

Com depoimentos emocionantes, trechos de apresentações e de aulas antes da pandemia, o documentário contou a trajetória do grupo que conhece e reconhece no teatro lembranças e valores que levarão para toda vida.

Durante toda semana, logo após cada exibição, todos eram convidados a compartilhar suas experiências e interagir com o elenco em uma bate-papo no zoom, e se as apresentações já provocavam os telespectadores, durante essas trocas, algo muito maior, que produção nenhuma seria capaz de retratar, acontecia o verdadeiro espetáculo.

Um misto de sentimentos pairava sobre a sala virtual. Risadas e choros. Sensação de dever cumprido com a vontade de fazer muito mais para que outros jovens tenham a oportunidade de serem resgatados, não somente pela arte, mas principalmente por um propósito maior que com humanidade e sensibilidade, tragam a compreensão da dignidade para juventude do Distrito Federal.

“O teatro foi apenas um caminho, uma ponte, que permitiu a esses 73 jovens superarem seus limites e como mencionado várias vezes por eles mesmos, acreditarem em si, que eles são capazes”, avalia Kedson Rocha, Secretário de Juventude do Distrito Federal.

Para alguns o limite era a tecnologia, a internet, o cenário, a edição ou simplesmente decorar o texto, mas para muitos era a timidez, a insegurança, o medo da crítica, do fracasso, de sucumbirem as vozes e realidades que por vezes os fizeram acreditar que não eram bons o suficiente e de que não deveriam estar ali.

Mas como em todo bom espetáculo, precisamos de bons personagens e reviravoltas. Mais do que isso, como diria o pensamento aristotélico: a arte imita a vida, e aqui, eles assumiram o protagonismo para ceder à arte a narrativa inspiradora de suas histórias.

Com uma programação desenhada e pensada por jovens e para jovens, todas as apresentações da II Semana Cultural dos CJs já estão disponíveis no canal do IECAP – Agência de Transformação Social no Youtube.