Conheça o projeto Você Não Está Só – Cartas Perdidas

Realizado por voluntários, a ação distribui mensagens de esperança e de cuidado pelo DF

Você já imaginou receber uma carta nos dias de hoje? No mundo atual, enquanto estamos conectados virtualmente a quase todo tempo, parece pouco provável que vamos receber uma carta escrita à mão e com uma mensagem especial para nós, não é? Afinal, receber uma notificação nas redes sociais é uma prática mais comum e esperada e que hoje faz parte do nosso cotidiano.

A troca de cartas representa um dos meios de comunicação mais antigos da humanidade e é uma forma de enviar e receber mensagens, notícias, informações e promover o compartilhamento de ideias e de acontecimentos com os outros. Ainda: o processo envolve uma prática manual e artesanal com a escrita e requer paciência e diálogo com o tempo – uma vez que a produção, o envio e a resposta não podem ser precisamente mensurados.

Buscando uma forma de promover a conexão com essa dinâmica de troca e partilha da escrita e do diálogo, Regina Araújo, coordenadora do Centro de Juventude (CJ) de Ceilândia, e Dill Diaz, professor, ator, diretor e produtor de teatro, se uniram para criar uma corrente do bem a partir da pesquisa artística desenvolvida com os jovens participantes da oficina de teatro do CJ. Dessa maneira surgiu o projeto “Você Não Está Só – Cartas Perdidas”, que busca uma interação ampla entre os jovens, além de provoca-los a olhar para a cidade, para o próximo e principalmente a se reconectarem com escrita por meio de cartas. Este simples gesto convida os jovens a elaborarem uma carta usando papel e caneta com uma mensagem de esperança, cuidado ou afeto, desenvolvendo não apenas sua escrita, mas despertando seu cuidado com o outro ao entregar a carta em qualquer lugar da cidade para que qualquer pessoa possa encontrá-la.

A atividade trabalhada com os jovens foi inspirada no Projeto Cartas Perdidas de Guilhermo Codazzi, jornalista e editor-chefe do Jornal Ovale. A ação promovida por ele teve como objetivo inicial o depósito de cartas nos correios ou em lugares públicos com a expectativa de que houvesse, em algum momento, o encontro com um leitor ou uma leitora. O nome sugere uma dinâmica de interação social, uma vez que as cartas, então, “perdidas” são encontradas por leitores destinatários por vezes desconhecidos. Atualmente o projeto é uma ação social e conta com voluntários e parceiros que atendem asilos, abrigos, hospitais e pessoas em situação de rua que doam palavras de amor e cuidado ao próximo.

No Centro de Juventude, com apoio da equipe psicossocial, a ação foi ampliada ao público geral ao lançar o convite a todos para que participassem da dinâmica de espalhar o bem pelo Distrito Federal por meio de cartas com mensagens de esperança. A ação se iniciou em 23 de agosto e tem previsão de duração até 22 de setembro, proporcionando 30 dias de intensa produção escrita e troca com os quase 100 voluntários participantes.

Todo esse envolvimento já fez com que as mensagens de afeto chegassem em mais de 15 localidades, envolvendo, no Distrito Federal, a regiões administrativas da Asa Norte, Riacho Fundo 2, Itapoã, Taguatinga, Núcleo Bandeirante, Ceilândia, Samambaia, Lago Sul, Gama, Águas Claras, Ceilândia, Brazlândia e até Águas Lindas, cidade localizada no Goiás.

Cartas encontradas: momentos de transformação

O projeto “Você Não Está Só” é uma via de mão dupla, já que mesmo que, inicialmente, a proposta promova um diálogo de forma anônima e espontânea, o retorno dessa ação social resgata o sentido de doar o afeto por meio das palavras. Assim, os coordenadores disponibilizaram um número para que as pessoas que encontrassem as cartas entrassem em contato compartilhando a experiência vivida, caso se sentissem à vontade para fazê-lo.

Esse foi o caso de Liese Borges, jovem e mãe de três filhos, que encontrou a carta perdida e ficou impactada com o cuidado e a transformação gerada. Ela enviou uma mensagem ao número disponibilizado para compartilhar sua situação de dificuldade e agradecer pela carta encontrada, a qual ela interpretou como um sinal de que as situações difíceis em sua vida passariam.

“Eu sou uma mulher de muita fé, sou positiva e creio fielmente que Deus está no controle de todas as coisas e que essa fase vai passar. Ele sempre coloca anjos no meu caminho e creio que você foi mais um enviado por ele. Fiquei muito emocionada quando comecei a ler, não pude conter as lágrimas, pois eu sei que ele [Deus] falou comigo. E que iniciativa linda a sua, ser instrumento de Deus e espalhar amor por aí”, compartilhou.

A mensagem de Liese foi compartilhada no grupo de carteiros voluntários, que logo se uniram para auxiliar na situação de dificuldade. O resultado foi o encontro presencial entre ela e os coordenadores do Projeto, que tiveram a oportunidade de conhecer sua família, e levar alimentos que pudessem auxiliar no sustento da família nesse momento difícil.

Liese hoje faz parte do grupo e agradeceu a todos que promovem essa corrente do bem: “Eu estou aqui com meu coração cheio de gratidão e cheio de alegria por terem colocado pessoas como vocês no meu caminho. Quero a agradecer a todos vocês que fizeram parte dessa corrente do bem e que, representados pelo Dill e pela Regina, estiveram aqui na minha casa nos trazendo mais amor, mais alento e a certeza de que realmente não estamos sozinhos”.

Árvore da Esperança

A proposta para finalização das ações do projeto está alinhada com a campanha do Setembro Amarelo para valorização da vida e prevenção ao suicídio, afinal as cartas têm ocupado as cidades com mensagens de otimismo e esperança e são uma forma de lembrar aos leitores de que a vida vale a pena.

O encerramento da ação compreenderá o último dia de produção das cartas perdidas, convidando a todos os voluntários a florescerem a “Árvore da Esperança”.

Os carteiros e carteiras vão escolher um ipê amarelo na Esplanada dos Ministérios, região central de Brasília, para comporem cartas escritas coletivamente no local, deixando-as disponíveis no local até o final do mês de setembro, montando uma árvore repleta de mensagens de esperanças para quem quiser passar e colher, distribuindo amor e cuidado ao próximo e diferentes formas de conexão entre as pessoas.

Caso você queria fazer parte dessa ação, entre em contato por meio do grupo de carteiros voluntários acessando o link https://chat.whatsapp.com/JVyjwdUNGXhGM5YIReOtFF.

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